Mais associações por favor

A inspiração para este artigo veio-me da mais recente campanha do Continente. A campanha propõe que por cada compra na sua cadeia de lojas se doe 20 cêntimos de euro para ajudar associações de apoio a crianças (ou uma associação deles, admito que não estava a prestar grande atenção). A questão que se coloca é: quais crianças? O pais envelhece a um ritmo gigantesco – ao nível dos “melhores” da Europa – e o numero de associações para crianças é cada vez maior. É possível que tenha havido uma quebra neste crescente justificada por algumas medidas governamentais mas o numero continua muito [MUITO] grande comparativamente à altura em que o país tinha crianças.

A ideia de viver à conta de associações e de, em alguns casos, lavar dinheiro parece que se tornou uma pratica generalizada neste país, a quantidade de organizações para tudo e mais alguma coisa não deixa margem para mais nenhum tipo de raciocínio. Outro argumento que pode ajudar à festa é o facto de essas associações mal se verem efetivamente no campo. As entidades que mais ajudam as crianças, e que realmente dão o apoio necessário, são as entidades que pertencem à igreja católica, mas essas já existiam no passado.

O Continente (neste caso, mas não salvo outras cadeias comerciais) transformou a caridade numa ferramenta de marketing para se promover e não tem qualquer interesse em fazer caridade, se não vejamos como se comporta com os seus fornecedores. Metem-se numa área que definitivamente não dominam (e nem pretendem dominar) e impedem que a verdadeira caridade seja feita por desviar a atenção dos potenciais caridosos. A única forma que me faria crer que há vontade de ajudar, seria publicitando as verdadeiras associações de ajuda e com o SEU PRÓPRIO LUCRO fazer a dita doação (melhorar o trato com os fornecedores também não lhes fazia nada mal).

E as associações de animais? Que a grande maioria só considera como animal o cão e o gato, como o recente caso brasileiro em que libertaram os cães e deixaram os ratos num assalto a um laboratório de medicamentos. Mas não vou entrar por aí, isso dava assunto para um artigo dedicado exclusivamente ao tema.

Agora pensem bem, e vejam lá se não conhecem pelo menos uma pessoa que tem uma associação.

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