Papa Francisco. A confusão está instalada.

Ao contrário de muitos católicos, a comunicação social está extasiada com o Papa Francisco. Porquê este entusiasmo? É simples, porque o Papa Francisco está confuso numa infinidade de temas,  confusão essa que muitas vezes parece ir contra os ensinamentos dos evangelhos e da tradição da Igreja. Precisamente aqueles temas que fazem parte da agenda globalista.

No The Washington Times o católico tradicionalista Andrew P. Napolitano no artigo: NAPOLITANO: Pope Francis should be saving souls, not pocketbooks, faz uma critica muito clara em relação à opinião do Papa sobre o capitalismo.

Deixo aqui a tradução de Eduardo Freitas, publicada no seu blog Espectador interessado:

Qual é o problema mais grave no mundo de hoje? Será que é a guerra, a fome, o genocídio, a violência sectária, o assassinato, a matança de bebés no útero? Qualquer uma destas respostas seria considerada racional. Quando recentemente fizeram esta pergunta ao papa Francisco, ele respondeu: “O desemprego dos jovens”.

É evidente que o desemprego entre os jovens é um problema sério. Em algumas regiões dos Estados Unidos, o país mais rico do mundo, atingiu os 25%. Estas são pessoas que já não frequentam a escola a tempo inteiro e ainda não têm 30 anos de idade. É um problema para eles e para as suas famílias, para as suas comunidades e para os estados sociais que os estão sustentando. Será este, todavia, o pior problema no mundo? Será um problema da Igreja Católica Romana? Será algo para o qual o papa tem competência para comentar ou resolver?

Os comentários do papa ao desemprego dos jovens foram recentemente retirados do site do Vaticano. Mal isso sucedeu, logo o Santo Padre fez publicar a sua primeira exortação apostólica – uma doutrina papal formal, por oposição aos agora famosos comentários feitos de improviso na parte de trás de um avião mas porém feitos on-the-record -.

A sua exortação diz respeito à economia e revela uma ignorância perturbadora. Digo isso com respeito e deferência. Digo isso também como um católico romano tradicionalista que lamenta a diluição pós-Vaticano II de tradições sagradas, do enfraquecimento do ensinamento moral e da trivialização das práticas litúrgicas. Digo igualmente isto, porém, como um firme crente de que o Papa Francisco é o Vigário de Cristo na Terra e, como tal, personifica a autoridade magisterial da Igreja. Ele é moral e juridicamente capaz de falar ex cathedra – isto é, de modo infalível – mas apenas após exame e depuração dos ensinamentos tradicionais da Igreja e somente em matérias que afectem a fé e a moral.

Graças a Deus, por assim dizer, que a sua autoridade de magistério está limitada à fé e à moral, porque em matéria de economia, ele anda bem longe do alvo.

A sua exortação, intitulada “A alegria do Evangelho” [Evangelii gaudium], ataca o capitalismo do mercado livre porque este demora muito tempo a tornar ricos os pobres. “Eles continuam à espera”, escreveu o papa. Sem o capitalismo, que recompensa o trabalho árduo e o sacrifício, eles ficarão eternamente à espera. Nenhum sistema económico na história atenuou mais a pobreza, gerou mais oportunidades e ajudou mais as pessoas pobres a enriquecer que o capitalismo. A essência do capitalismo bebe do núcleo central da doutrina católica: a liberdade pessoal de toda a pessoa. O capitalismo é a liberdade para arriscar, a liberdade para trabalhar, a liberdade para poupar, a liberdade para reter os frutos do trabalho de cada um, a liberdade para ser proprietário e a liberdade para doar a instituições de caridade.

O problema com o capitalismo moderno – um problema que escapou ao escrutínio de Sua Santidade – não é a liberdade a mais, mas sim a liberdade a menos. A regulação dos mercados livres pelos governos, o controle dos meios privados de produção pelos burocratas estatais, as ímpias alianças entre governos, bancos e indústria fizeram aumentar custos de produção, sufocaram a concorrência, criaram barreiras à entrada nos mercados, aumentaram os impostos, desvalorizaram as poupanças e expulsaram muitos pobres da força de trabalho [pela imposição de salários mínimos]. O papa faria bem em rezar por aqueles que têm utilizado o estado para roubar liberdade de modo a satisfazer a sua cobiça pelo poder, e por aqueles que se curvaram perante o estado para enriquecer com os benefícios estatais e não com os frutos do seu próprio trabalho.

A tradicional doutrina social católica impõe sobre todos nós uma obrigação moral para que nos tornemos guardiões dos nossos irmãos. Mas esta é uma obrigação moral pessoal, imposta pela consciência e pelos ensinamentos da Igreja e pelas chamas do inferno, não pelos poderes coercivos do estado. A caridade vem do coração. Ela consiste em dar de livre vontade a nossa riqueza. É impossível praticar a caridade com o dinheiro dos outros. Isso é um roubo, não caridade.

Se se der até que doa, de livre vontade e por amor, sem procurar nada de temporal em troca, construir-se-á um tesouro no Céu. Contudo, se o estado lhe tirar, a si leitor, e redistribuir a sua riqueza àqueles a quem o governo decidiu beneficiar – ricos como pobres – onde está o seu mérito? Se se der a uma pessoa pobre um peixe para comer, num dia, ela ficará com fome. Se se lhe mostrar como pescar e lhe ensinar como adquirir as ferramentas necessárias para o fazer, ele poderá tornar-se auto-suficiente e talvez um dia suficientemente rico para ajudar outros. Se o governo lhe tirar dinheiro a si para comprar um peixe para dar a alguém, metade do dinheiro será desperdiçado.

O papa parece preferir a propriedade comum dos meios de produção, uma posição marxista, ou a propriedade privada controlada pelo governo, a posição fascista, ou a propriedade estatal e controlo estatal, a posição socialista. Todos estes sistemas conduziram às cinzas, não à riqueza. O papa Francisco precisa saber isto. Ele também precisa saber que quando a Europa, em 1931, estava envolta em turbulência, o seu predecessor, Pio XI, escreveu numa das suas encíclicas: [N]inguém pode ser ao mesmo tempo um católico sincero e um verdadeiro socialista”.

A igreja não ensina apenas em função do dia de hoje, mas de toda a vida do homem na Terra. É por isso que a essência do papado não está na resolução dos problemas contemporâneos, mas na preservação da verdade e da continuidade da tradição. Por esta razão, os papas não contradizem de ânimo leve os seus antecessores. Se então foi sagrado, sagrado é agora.

O cardeal Timothy Dolan, o arcebispo de Nova Iorque, recentemente descobriu existirem sérios problemas estruturais na Catedral de St. Patrick cuja reparação irá custar 200 milhões de dólares. Brevemente verá esta factura paga. De onde veio o dinheiro? Veio do rendimento disponível dos ricos capitalistas católicos. Quem beneficiará com isso? Os operários a quem o projecto de restauro está agora a proporcionar emprego, e todos – ricos e pobres – que forem à Missa na remodelada St. Patrick, fá-lo-ão no conforto e na beleza.

O que devemos fazer quanto ao Papa e à Economia? Devemos orar pela sua fé e entendimento e por um retorno à ortodoxia. Isto significa a Santa Madre Igreja sob o Vigário de Cristo: salvar almas, não carteiras.

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