Mais associações por favor

A inspiração para este artigo veio-me da mais recente campanha do Continente. A campanha propõe que por cada compra na sua cadeia de lojas se doe 20 cêntimos de euro para ajudar associações de apoio a crianças (ou uma associação deles, admito que não estava a prestar grande atenção). A questão que se coloca é: quais crianças? O pais envelhece a um ritmo gigantesco – ao nível dos “melhores” da Europa – e o numero de associações para crianças é cada vez maior. É possível que tenha havido uma quebra neste crescente justificada por algumas medidas governamentais mas o numero continua muito [MUITO] grande comparativamente à altura em que o país tinha crianças.

A ideia de viver à conta de associações e de, em alguns casos, lavar dinheiro parece que se tornou uma pratica generalizada neste país, a quantidade de organizações para tudo e mais alguma coisa não deixa margem para mais nenhum tipo de raciocínio. Outro argumento que pode ajudar à festa é o facto de essas associações mal se verem efetivamente no campo. As entidades que mais ajudam as crianças, e que realmente dão o apoio necessário, são as entidades que pertencem à igreja católica, mas essas já existiam no passado.

O Continente (neste caso, mas não salvo outras cadeias comerciais) transformou a caridade numa ferramenta de marketing para se promover e não tem qualquer interesse em fazer caridade, se não vejamos como se comporta com os seus fornecedores. Metem-se numa área que definitivamente não dominam (e nem pretendem dominar) e impedem que a verdadeira caridade seja feita por desviar a atenção dos potenciais caridosos. A única forma que me faria crer que há vontade de ajudar, seria publicitando as verdadeiras associações de ajuda e com o SEU PRÓPRIO LUCRO fazer a dita doação (melhorar o trato com os fornecedores também não lhes fazia nada mal).

E as associações de animais? Que a grande maioria só considera como animal o cão e o gato, como o recente caso brasileiro em que libertaram os cães e deixaram os ratos num assalto a um laboratório de medicamentos. Mas não vou entrar por aí, isso dava assunto para um artigo dedicado exclusivamente ao tema.

Agora pensem bem, e vejam lá se não conhecem pelo menos uma pessoa que tem uma associação.

  2 comments for “Mais associações por favor

  1. André
    10/12/2013 at 11:14

    Oh Gil, com todo o respeito e sem me alongar muito…não és tu a favor do empreendedorismo privado? Da liberdade individual, etc…tens que lidar com as liberdades dos outros, isto e, a do Continente que na figura do Sr. Belmiro quer ter uma instituição que se chama Missão Sorriso, e que, alem de dar a ganhar aos hospitais para ajudar as crianças, da de ganhar ao Tony Carreira e da de ganhar ao próprio Continente.
    Que e uma jogada de marketing e…mas inteligente como raio. As pessoas e tu sabes bem disso, tiveram a bem ou mal uma educação com bases judaico-cristas e portanto o ajudar o próximo faz ainda parte do nosso património educativo. Eu sei que esta ideia de ter instituições de caridade que usam a caridade para outros fins pode parecer errada para nos. Mas como dizia o outro, e errado, mas pode-se fazer! Isto passa sempre por mentalidades e pela atenção da sociedade aos pormenores…e neste momento infelizmente grande parte das pessoas ”só lê as gordas”. A verdade e que também a ajuda não pode passar só pela Igreja Católica e, como sabes, e pareces dizer, não passa ”seria publicitando as verdadeiras associações de ajuda”. Gil, as igrejas hoje em dia mudaram de figura…o rebanho não vai em massa a igreja ao domingo pelo meio-dia. Onde o rebanho vai e em massa e ao Continente num Forum qualquer…e a religião do consumo e da distracção. Não da que pensar, nem chateia…alem que toda a gente faz, não te associam a nada em concreto. Ah e tal, la vai ele pá missa…ir ao supermercado ao domingo e que e comum, portanto e normal e as pessoas sentem-se num espaço confortável e que lhes oferece o que elas procuram. Isto da que pensar também se a igreja não precisa de mudar ainda mais um bocadinho se quer chegar junto das pessoas…e por aqui fico…já me perdi e tudo lol. Depois falamos disto que ainda tenho muito que dizer! Abraço.
    Ps: Peco desculpa mas o teclado e Sul-Africano e não tem alguma acentuação, tenta adivinhar onde era suposto ela estar…

    • CondeGil
      10/12/2013 at 11:53

      Não esperava uma resposta que não fosse com o devido respeito xD (por causa da forma como começas). Não me parece que tenhas captado a essência do artigo. Em primeiro lugar, a verdadeira critica é à crescente de associações. Depois, e apesar de o fim vir a fazer bem, os fins não justificam os meios. Quer se queira quer não, não tem jeito usar-se de causas nobres para vender. Dizes que é inteligente como o raio.. não digo o contrario e nem esperava diferente do Continente. Mas não o torna bonito.
      Agora falando a educação judaico-cristã; As pessoas ainda tem influencia das morais mas essa influencia perde-se uma parte a cada geração. A prova disso é a alteração comportamental que se observa a cada dita geração. Quando digo que não apanhaste a essência passa precisamente por aqui. Dizes que neste momento, infelizmente, a sociedade só lê gordas, por saber disso digo no separador “Sobre” do site: ” Isto só pode ser feito de uma forma: educação e moral.” É esta a minha proposta. Hoje a igreja católica está no caco em que está precisamente por ter-se adaptado (Vê as estatísticas do aumento da descrença após o concílio do Vaticano II, o concílio da teologia da libertação e do cristianismo ecuménico). Quanto mais se tentou adaptar mais fieis perdeu, isso vê-se nas estatísticas. Em contrapartida, as igrejas ainda mais adaptadas ainda perderam mais (vê o caso do protestantismo anglicano). As igrejas mais radicais estão em crescente numero de fieis (curioso). Como o crescente do Islão na Europa e EUA. E não estou a falar dos emigrantes estou a falar dos convertidos. Lê as estatísticas do que estou a dizer e vais ver. A igreja católica adaptou-se, abdicou dos morais e perdeu a força ética. Entregou o seu fiel à descrença, o problema do Ateu é que tem de acreditar em alguma coisa (vê-se este fenómeno nos artigos seguintes). Eu sou capitalista, claro que sim, mas também sou católico. Eu acredito no livre mercado, mas também acredito em Deus. A minha critica não exige uma mudança estatal, nem que o Continente deixe de ser o que é. Exige que o cidadão veja no que se está a meter, e se proteja disso.

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